quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

02 / 05 - Rose no Mundo Paralelo

Seundo Arco - Parte 5



Pessoas desaparecem o tempo todo. Pergunte a qualquer policial. Melhor ainda, pergunte a qualquer jornalista. Os desaparecimentos fazem parte do dia-a-dia dos jornalistas. Adolescentes fogem de casa. Crianças desagarram-se dos pais e nunca mais são vistas. (...)
~Outlander, A Viajante do Tempo.

Diana Gabaldon



* * *


Anne era de fato uma das melhores agentes do Torchwood. E uma das mais inteligentes. Mas infelizmente seus pais não gostam muito disso nela, achavam que a garota estava perdendo seu tempo trabalhando para o Torchwood, ela sendo inteligente poderia ter emprego em qualquer lugar, era só ela querer. Mas Anne já estava viciada em tudo naquele instituto, amava a adrenalina, amava suas pesquisa e estava achando que com o tempo que anda passando por lá seus pensamentos andam mudando e ela está ficando cada vez mais inteligente cada vez mais.
            O instituído Torchwood de Londres é especializado em investigar os alienígenas apreender armas extra terrestre e desenvolver armas contra eles. E uma das grandes provas da inteligência dessa excepcional garota eram as armas que ela estava desenvolvendo para o instituído. Anne não consegue explicar de onde vem as ideias, ela simplesmente imagina uma arma que seria interessante e  começa a pensar em como construí-la a partir dos materiais disponíveis. Ela já tinha conseguido transformar uma pistolinha de brinquedo que atira agua numa poderosa arma que além de disparar agua, dispararia eletricidade junto.
            Rose e Mickey começaram a ver que ela tinha potencial quando Anne chegou pra eles com uma arma que parecia completamente alienígena. Não era bem uma arma, Anne explicou: na verdade funcionaria como uma prisão, o objeto se assim posso dizer, se parecia com uma bola de praia, mas ele brilhava como se fosse feito de farias descargas de eletricidade, tinha uma pequena abertura onde se colocaria o prisioneiro, ao clicar o botão a abertura se fecha com um pequeno chiado de descaras elétricas funcionando assim como uma prisão que seria impossível de qualquer coisa escapar, claro que era um protótipo e Anne queria construir aquilo em grande escala.
            Ultimamente ela estava tendo ideias de construir uma arma poderosa suficiente de explodir um temível Dalek com um único tiro. Foi assim que Rose a deixou no Torchwood, trabalhando na construção dessa arma, projeto este que foi interrompido naquela noite por uma ligação desesperada de Rose que estava em missão no hospital O Cravo e a Rosa.

* * *

-Então Rose? – perguntou Mickey depois de um tempo de silencio – qual é o plano?
                Rose olhou em volta. Era muito injusto deixar aquela decisão em cima dela. E ela não podia simplesmente cortar a energia que deixava a luz de onde seus pais estavam permitindo assim que a escuridão entrasse e devorasse seus pais, mas também não podia deixar que todos os outros que estavam ali naquele hospital além de seus pais morressem. Foi ouvindo uma linda melodia ao longe que ela olhou para Mickey e respondeu.
-É plano é tirar todos desse hospital vivos. – disse Rose com confiança, ela não sabia ainda, mas tinha certeza que faria aquilo de alguma forma.
-Certo, oque fazemos? – perguntou o enfermeiro olhando para Rose esperando uma decisão.
-Não corte a energia completamente, apenas desvie boa parte, suficiente para que as luzes fiquem acessas.
-Mas assim as luzes vão ficar oscilando! – disse o medico
-Ao menos é alguma coisa, quem sabe assim essas criaturas recuem
“... Saiu ferido...”
                Quando menos esperavam o celular de Alicia fez aquele típico som de descarrego e se desligou sozinho para pânico da menina que procurou ficar protegida no meio. Rose olhou em volta em quanto o enfermeiro se tremendo de medo mexia no gerador conectando vários fios.
-Pronto!- disse o enfermeiro finalmente. Ele foi ate um canto do porão e ligou as luzes. Mas essas não ficaram totalmente claro, ainda era fraca e oscilavam bastante como se você estivesse dentro de uma balada.
“... Ficou doente...”
-Será que é o suficiente, Rose? – perguntou Mickey
-Eu não sei, eu vou testar... – disse Rose fechando os olhos e se afastando da luz dos celulares.
-NÃO! Todos gritaram ao mesmo tempo. Mickey segurou Rose pelo braço e a puxou de volta
“... Pôs-se a chorar...”
-Ficou louca? – Mickey estava incrédulo – quer morrer?
-Não, quero testar uma coisa! – disse Rose se desvencilhando do braço dele e pulando para fora do circulo iluminado pelos celulares.
“... Despedaçada...”
 * * *
Jake era um cara extremamente calmo em momentos normais, mas em momentos como aquele era difícil manter sua calma. Eles não poderiam passar a noite toda daquela forma esperando orando para que seus celulares não perdessem a bateria antes mesmo do dia nascer. Dois celulares já tinham descarregado, e a roda que os protegiam das criaturas das sombras estava cada vez menor.
                Para piorar Rose e Mickey estava demorando, aquilo o assustava, se alguma coisa tivesse acontecido a eles, aquele pessoal que Jake estava encarregado de proteger estariam todos perdidos.
-Eu escuto – gritou alguém – a voz, dos espíritos, estão cantando, vamos todos morrer aqui...
                Uma voz ecoava pelos corredores do hospital, era uma voz melódica que cantava uma musica desconhecida por todos os londrinos, era como se fosse uma musica cantada por espíritos ela entrava por seus ouvidos e fazia gelar seus corações os arrepiando de medo. A canção ecoava por todos os corredores do hospital e quando chegava à recepção parecia coisa do além. Quando eles pensavam que as coisas não podiam ficar piores as luzes do começaram a oscilar causando terror em todos que começaram a gritar desesperados.
                Para acalmar a todos Jake deu um tiro para cima, mas sua estratégia piorou tudo, pois o pânico foi geral e todos saíram correndo pra fora do circulo de luz. Era como está num filme de terror, todos achavam que iriam morrer, mas eles permanecia intactos, ninguém tinha virado um monte de ossos, talvez Rose tivesse conseguido.

* * *

                Mickey ainda estava gritando seu NÃO quando Rose começou a rir dele.
-Tinha que ver seu rosto Mickey, você fica muito engraçado quando está assustado...
-Rose! – disse Mikey com raiva – você poderia ter morrido!
-Que fofo Mickey, você ainda gosta de mim?
-Não, na verdade eu estou mais preocupado com sua mãe, oque ele faria comigo se eu deixasse você morrer.
“...fez serenata...”
-O que é isso? – perguntou Rose – Estou ouvindo uma melodia, mas estou ignorando faz tempo.
-Agora que você falou... – disse Mickey – eu também, Rose.
“... foi espiar...”
-Vamos... – disse Rose
                Quando eles se puseram a subir as escadas escutaram os gritos de desespero vindo da recepção, seguidos de tiros e mais gritos de terror.
-Essa não Rose... – disse Mickey – alguma coisa está acontecendo!
“...fizeram festa...”
-Vamos... – disse Rose correndo escadas à cima
                Lá em cima eles ouviram com mais clareza a canção que tanto ignoravam, era uma melodia antiga, totalmente brasileira que ao ser ouvida por um londrino poderiam achar que seria uma canção vinda do além pelo modo como era entoado. Era uma voz mística, que deixava a canção de ninar assustadora.
-Que melodia é essa? – perguntou Alicia fazendo o sinal da cruz
-Parece aquela melodia que Hillary catava para não ter mais medo...
-Sim, mas que voz assustadora é essa? Com certeza não é dela!
                   Vestida como dama da noite estava Hills, ela estava no salão principal do hospital de frente pra escada onde ela foi transformada. Dançando ao som de sua própria voz tenebrosa, agitava seus braços como uma bailarina e cantava “o cravo brigou com a rosa” só que em sua voz saía de uma forma totalmente assustadora. Ela tinha trocado de roupa, estava com uma roupa mais curta e apertada, uma pequena saia que valorizava suas pernas e uma camisa que a deixava mais linda do que era, um batom vermelho que marcava ainda mais sua pele branca como a neve e curiosamente ela usava óculos preto, era estranho ver alguém usar óculos preto a noite, mas em Hills aquilo só a deixou mais sexy.
“O cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada. O cravo saiu ferido e a rosa despedaçada. O cravo ficou doente e a rosa foi visitar. O cravo teve um desmaio e a rosa pôs-se a chorar. A rosa fez serenata e o cravo foi espiar. As flores fizeram festa, porque eles vão se casar”
                As sombras em volta de Hills pareciam dançar junto com ela. À medida que ela fazia seus passos com elegância as sombras em volta dele faziam movimento como a de um parceiro invisível. Todos olhavam aquilo quietos, com medo do que poderia acontecer se Hills notasse a presença deles.
-Vão ficar me olhando a noite toda? – disse Hills parando de repente - Ou vão gritar, adoro quando gritam, deixam as coisas mais emocionantes...
-Quem é você? – perguntou Mickey assustado – porque você não é mais Hillary, onde está ela?
-Me deixa ver se ela esta aqui em meu bolço – disse Hills sarcástica – não ela não está, que pena.
-O que é você? – perguntou Rose - algum tipo de hospedeiro alienígena?
-Rose Tyler, fico feliz em responder a sua pergunta! – disse Hills – só porque isso vai deixa-la mais confusa... – deu um sorriso de escarnio – não somos alienígenas, viemos daqui mesmo da terra, mas temos vários irmãos espalhados pelo espaço e tempo.
-Se está respondendo as minhas perguntas, me responda. Quem são vocês?
-Não seja chata. Não vá direto ao ponto, gosto de fazer rodeio, deixa tudo mais interessante... Mas o que eu ganho respondendo as suas pergunta?  Quid pro quo Rose, eu te pergunto coisas e você me diz coisas.
-Certo... - Concordou Rose querendo resolver aquele mistério de vez...
-Você dentre todos desse universo, tem uma energia diferente Sra. Tyler, você é realmente desse mundo? –perguntou Hills
-Não, sou de um universo paralelo a esse, fiquei presa aqui e não posso voltar a meu mundo, infelizmente. Agora minha vez, me fale o que você fez com Hillary.
-Bem... Precisávamos de um corpo e de um lugar seguro onde nos alimentaríamos sem sermos notados, Hillary e esse hospital pareceram à combinação perfeita. Agora minha vez, quid pro quo Rose? Como você chegou a ficar presa aqui e como virou uma agente dessa Torchwood?
-Duas perguntas em uma? Isso vale? – disse Mickey
-Tem razão – se corrigiu Hills com raiva – responda a minha primeira pergunta Rose, quid pro quo?
-Eu viajava com um amigo... – disse Rose olhando para o chão se lembrando do Doutor – um certo dia estávamos no meio de uma batalha e então veio um buraco que meu amigo abriu para jogar todos eles direto no inferno, mas então eu quase fui sugada e meu pai desse mundo veio e me salvou, me trazendo para cá... Quid pro quo Hills, como assim seus alimentos? Explique!
-Nos alimentamos de carne, e a carne humana é tão saborosa que precisávamos achar um jeito de se alimentar dela sem sermos notados! E que tal um hospital, pessoas em hospitais morrem o tempo todo, se infiltrar em um seria o plano perfeito. As pessoas estavam começando a notar aquelas que desaparecem e nunca mais são vistas... Quid pro quo, Rose. Responda a segunda pergunta!
-Bem... Eu conhecia o Torchwood de meu mundo e sabia um pouco sobre alienígenas então foi fácil arrumar esse emprego no Torchwood daqui... Quid pro quo, Hills por que vocês atacaram primeiro os animais, depois bebês e por fim passaram a matar adultos?
                Neste ponto Hillary deu uma gargalhada que fez todos prenderem a respiração por um tempo.
-Sabe Srta. Tyler eu fiquei bastante impressionada naquele momento em que você estava pensando sobre isso na recepção, você chegou bem perto, foi por isso que houve um interesse de nós em você. De fato era tudo uma experiência, precisávamos testar uma coisa e finalmente a experiência está completa! Quid pro quo me fale sobre esse Torchwood, o que você fazem lá?
-Pesquisamos sobre atividades alienígenas e a combatemos, ou ao menos tentamos. As pessoas não conhecem muito a gente...
-São como agentes secretos?
-Isso mesmo – disse Rose se orgulhando de falar do Torchwood – somos muito poderosos, por tanto é melhor vocês recuarem...
-Ok – disse Hills – já sabemos de tudo que precisávamos saber. Hora da limpeza!
Ao falar aquilo, Hills estendeu os braços e como se ela controlasse as trevas, as sombras em volta dela começaram a ganhar forma. Por onde aquelas sombras estranhas passavam as luzes que oscilavam sem cessar se apagavam. Os enfermeiros que estavam mais a frente largaram seus celulares no chão, e todos como eles davam pequenos passos para trás a medida que as sombras avançavam para cima deles. Hills estendeu a mão para cima dos dois enfermeiros e como um enxame de abelhas as trevas os consumiram transformando-os em monte de ossos. Alicia como toda adolescente assustada começou a gritar em desespero, era o seu fim, ela acreditava.

-Alicia, você precisa ter calma! - disse Rose segurando no ombro da menina - vamos sair dessa!

-Deixe a menina gritar! - disse Hills - assim tudo fica mais divertido!

-Rose... - disse Mickey assustado - talvez esse seja um daqueles momentos, sabe, aquele lance de correr.

Hills estendeu seu braço mais uma vez bem no momento em que Rose deu meia volta e gritou para todos correrem... Na mente de Hills ela só pensava em uma coisa, a brincadeira tinha se tornado mais divertida, eles tinham aquele hospital enorme para se esconder e ela iria brincar de esconde- esconde, e se ela achasse alguém como premio ela mataria.


As luzes continuavam piscando deixando tudo mais assustador e atrás deles escutavam a canção o cravo brigou com a rosa, eles corriam pelos corredores do hospital usando a musica como referencia, queriam ficar o mais longe dela possível. Rose estava preocupado, dos cinco que Mickey tinha escolhido para acompanha-los três tinham morrido, ela se sentia culpada nessa parte. Eles estavam cada vez mais longe da recepção e de todos, Hills estava no meio do caminho e eles não se atreveriam a passar por ela, aquilo seria muito ariscado, eles entraram numa ALA chamada "os três porquinhos". Os três porquinhos, três mortos, foi impossível Rose não perceber essa coincidência. O corredor dessa ALA era cheio de portas e por trás de cada uma tinha um paciente acamado por algum motivo aparente.

-Rose, o que vamos fazer? - disse Mickey - Não tenho a menor ideia! A ideia de sobreviver ate de manhã já se tornou uma coisa assustadora e depois? Vamos abandonar o Hospital e dá-lo como interditado eternamente...

-Tem sempre uma saída Mickey, só não estamos pensado direito...

-Mas qual?

-Eu não sei ainda, mas tem! Tenho que pensar com mais calma!

-Vamos entrar em uma dessas salas e colocar a cabeça no lugar.

Entraram num quarto onde tinha uma criança entubada, ela estava careca como se estivesse com câncer assim no escuro não dava para saber se era menino ou uma menina. Com o tempo eles passaram a se acostumar com suas respirações aceleradas que foram se acalmando aos pouco e com a maquina de respiração que mantinha a criança viva.

-Bem... - começou Mickey - ferrou!

O velho parecia manter a calma o tempo todo, e de quando em quando tentava consolar Alicia que parecia estar ficando paranoica, ela olhava para todos os lados apressada, imaginando que o perigo poderia surgir de qualquer lugar a qualquer momento. O velho sentia conforto tentando consolar aquela menina assustada, de alguma forma ele fazia aquilo pelo seu neto que tinha sido morto na recepção, na hora do pânico.

-Então Rose? – perguntou Mickey com medo da possível resposta dela - Pensou em alguma coisa?

                Rose não disse nada, só olhou para a porta, logo acima tinha uma janelinha de vidro laminado que dava pra ver quem estava do lado de fora. Um vulto de aparecia feminino parecia está procurando alguém. Mais que depressa eles saíram da frente da porta e usou as paredes do lado para se esconderem, ficaram bem quietos, ate a respiração eles tentaram controlar para que isso não informasse o local onde estavam. Do lado de fora Hills começou a cantar a canção de ninar que já estava dando pesadelos neles. Mas aproxima coisa que mais causou medo a eles foi quando viram a maçaneta da porta girando, alguém estava preste a entrar naquele cômodo.

Quid pro quo é uma expressão latina que significa "tomar uma coisa por outra". Refere, no uso do português e de todas as línguas latinas, uma confusão ou engano. Tem origem medieval, tendo sido usada, na sua origem, para referir um engano no uso de termos latinos num texto. Também podendo significar "Isso por aquilo".

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